Desigualdade e clima, o elo invisível que desafia o futuro
Em sua recente publicação no portal Educação em Pauta, “Desigualdade e clima, o elo invisível que desafia o futuro”, o professor Alfredo Pena-Vega oferece uma análise crucial que ecoa profundamente os princípios do pensamento complexo. Diretor científico do Pacto Global da Juventude pelo Clima, Pena-Vega confronta a abordagem reducionista que, por décadas, tentou tratar a crise climática como um problema puramente ambiental ou científico.
O autor argumenta que este “elo invisível” — a desigualdade social e econômica — não é apenas uma consequência da crise climática, mas um de seus principais motores.
A tese central é um chamado à superação da disjunção. Citando o economista Thomas Piketty, Pena-Vega defende o que para nós, estudiosos da complexidade, é evidente: é impossível desacelerar o aquecimento global sem abordar simultaneamente as estruturas profundas da desigualdade.
Pena-Vega expõe o “círculo vicioso” em que nos encontramos: as desigualdades estruturais (falta de acesso a recursos, saúde e educação) aumentam a vulnerabilidade aos eventos climáticos, e estes, por sua vez, exacerbam essas mesmas desigualdades. Esta é a própria definição de uma retroalimentação complexa, onde as partes produzem o todo, que retroage sobre as partes.
O artigo desmonta a narrativa simplista que opõe “países ricos” a “países pobres”. Hoje, a responsabilidade pelas emissões atravessa fronteiras, demonstrando que os indivíduos mais ricos em países em desenvolvimento já emitem muito mais do que as populações pobres em todo o mundo. A crise é, portanto, multidimensional.
Para o público do CEP Edgar Morin, a leitura do artigo de Alfredo Pena-Vega é fundamental. Ela serve como um estudo de caso contemporâneo sobre a falha do pensamento fragmentado e a urgência de “religar os saberes” — neste caso, a climatologia, a economia, a sociologia e a política.
Pena-Vega não está apenas falando sobre clima; ele está falando sobre a incapacidade de nossas estruturas políticas e mentais em lidar com a complexidade do real. Ao apontar a “falta de vontade política”, ele não critica apenas governos, mas a própria estrutura de um pensamento que se recusa a ver o entrelaçamento inseparável entre justiça social e sustentabilidade planetária. Uma leitura essencial para entender os desafios do nosso século.

